Roteiro pela Croácia: Uma Aventura Inesquecível pelo Coração dos Balcãs
- Catarina Araújo

- 30 de dez. de 2025
- 31 min de leitura

Em julho de 2024, fizemos as malas e partimos rumo à Croácia — um destino que já andava na nossa lista há algum tempo. O objetivo era explorar este país cheio de natureza e paisagens de sonho. Mas o que encontrámos superou todas as expectativas. A Croácia é um verdadeiro tesouro escondido no coração dos Balcãs, um daqueles destinos que conseguem ter um pouco de tudo: montanhas, mar, vilas antigas e parques naturais.
A Croácia no contexto dos Balcãs: entre o Mediterrâneo e a Europa Central
A Croácia está situada numa encruzilhada fascinante entre a Europa Central, os Balcãs e o Mediterrâneo. Esta posição geográfica moldou profundamente a sua história, cultura e identidade.
Faz parte da região conhecida como Península Balcânica, uma área diversa, por vezes instável, mas rica em tradições, etnias e paisagens. Ao longo dos séculos, os Balcãs foram palco de impérios, migrações, conflitos e alianças, e a Croácia viveu intensamente esse cruzamento de influências:
Herdeira do Império Austro-Húngaro, partilha traços com países como a Hungria, a Áustria e a Eslovénia.
Com um litoral voltado para o Adriático, liga-se culturalmente ao mundo mediterrânico e à antiga República de Veneza, que dominou grande parte da costa.
Foi também parte integrante da Jugoslávia, uma federação que uniu várias repúblicas dos Balcãs até à sua dissolução na década de 1990.
A independência croata foi conquistada em 1991, após a Guerra da Independência, que marcou o início de uma nova era. Hoje, a Croácia é membro da União Europeia e da OTAN, mantendo ainda laços históricos e culturais com os seus vizinhos dos Balcãs.
Um País, várias regiões distintas

Sabias que, vista no mapa, a Croácia tem o formato de uma ave ou um dragão? Esta imagem quase poética ajuda-nos a perceber como o país é dividido em várias regiões com identidades muito próprias:
A cabeça é a península da Ístria, no norte, perto da Eslovénia e Itália. É uma região de colinas, vilas medievais e excelente gastronomia (trufas, vinhos e mariscos).
O corpo é a região da Croácia Central, com uma mistura de herança austro-húngara e modernidade, onde se encontra Zagreb, a capital vibrante e cheia de vida. Nesta região encontram-se várias montanhas, florestas densas e lagos de sonho, como os de Plitvice.
A asa representa a Eslavónia, a leste, com campos férteis e tradições rurais. A parte menos turística, mas rica em tradições rurais, natureza e autenticidade.
A cauda estende-se pela costa da Dalmácia banhada pelo mar Adriático, com cidades como Split, Dubrovnik e Makarska, além de dezenas de ilhas.
Cada região tem o seu próprio sotaque, gastronomia, paisagens e ritmo de vida. Viajar pelo país é como passar por vários micro-países.
Razões para visitar a Croácia
1. Parques Naturais e Áreas Protegidas Impressionantes
A Croácia é um verdadeiro paraíso para quem gosta de natureza. Apesar de ser um país relativamente pequeno, conta com 8 parques nacionais, 11 parques naturais e uma série de reservas protegidas — o que representa cerca de 10% do território nacional sob proteção ambiental. Muitos destes parques têm boa acessibilidade, sinalização e infraestruturas para visitantes, sem perderem o seu lado natural e preservado.
Alguns dos destaques imperdíveis incluem:
Parque Nacional dos Lagos de Plitvice – Património Mundial da UNESCO, famoso pelos seus 16 lagos ligados por passadiços de madeira e cascatas de águas turquesa.
Parque Nacional de Krka – com trilhos à beira-rio, cascatas deslumbrantes e visitas de barco até à ilha de Visovac e Roški Slap.
Parque Nacional Velebit do Norte (Sjeverni Velebit) - Situado na cordilheira Velebit, este parque é um dos tesouros naturais mais impressionantes da Croácia, e também um dos mais selvagens. O destaque vai para o famoso trilho Premužić, considerado um dos mais bonitos do país. Este trilho serpenteia pela montanha com vistas espetaculares para o Adriático e para as ilhas, passando por formações rochosas únicas e paisagens que parecem saídas de outro planeta.
Parque Nacional de Risnjak – Menos conhecido pelos viajantes internacionais, mas muito querido pelos croatas e naturalistas, Risnjak é um dos parques com maior biodiversidade do país. Localizado na região de Gorski Kotar, é um refúgio de florestas densas de faias e abetos, montanhas tranquilas e trilhos pouco movimentados, vida selvagem rica, incluindo linces, lobos e ursos.
Parque Nacional de Paklenica – ideal para os fãs de escalada, caminhadas e natureza selvagem, localizado perto de Zadar.
Parque Nacional de Mljet – na ilha com o mesmo nome, perfeito para quem procura trilhos, ciclismo e tranquilidade à beira de lagos salgados.
Parque Natural de Biokovo – com estradas de montanha vertiginosas, o impressionante Skywalk a mais de 1200 metros de altitude e paisagens de cortar a respiração sobre a Riviera de Makarska.
2. O Mar Adriático
O Mar Adriático, braço oriental do Mar Mediterrâneo, banha a costa ocidental da Croácia com mais de 1.700 km de litoral recortado e mais de 1.200 ilhas. Esta paisagem marítima extraordinária moldou profundamente a história, a cultura e o ritmo de vida do país. Durante séculos, o Adriático foi rota de navegadores, mercadores e impérios, ligando a península Itálica aos Balcãs, e hoje oferece praias cristalinas, ilhas preservadas, cidades muradas e portos encantadores.
A Croácia tem mais de 1.200 ilhas, ilhéus e recifes, mas apenas cerca de 50 são habitadas. As mais famosas incluem Hvar, Korčula, Brač e Mljet. No litoral da Croácia, destacam-se as enseadas cristalinas e cidades costeiras encantadoras como Dubrovnik, Split e Zadar.
3. Os Alpes Dináricos
Grande parte do país é coberto por cadeias montanhosas, florestas e vales — perfeitos para quem gosta de caminhadas, natureza e aventura. Os Alpes Dináricos cortam o território de norte a sul e incluem zonas como:
Gorski Kotar – “os pulmões verdes da Croácia”, com florestas densas e vida selvagem
Lika – onde se localizam Plitvice e outras paisagens glaciais
Monte Dinara – o ponto mais alto do país, com 1.831 metros de altitude
4. Lagos e Cascatas
Na Croácia podemos encontrar cenários de grande beleza, como lagos de cor turquesa, quedas de água que descem em degraus, piscinas naturais e rios cristalinos.
Os locais mais impressionantes? Sem dúvida os Lagos de Plitvice, Rastoke e o rio Krka. Estes sítios são perfeitos para tirar aquelas fotos dignas de postal e desfrutar de passeios tranquilos no meio da natureza.
Continua a ler este artigo para descobrires mais sobre estes lugares incríveis e como os incluímos no nosso roteiro.
5. Cenário de Game of Thrones
Se és fã de Game of Thrones, provavelmente já viste a Croácia sem saber. O país foi palco de várias cenas icónicas da série — principalmente a cidade de Dubrovnik, que serviu como cenário para King’s Landing (Porto Real). Ao passear pelas muralhas, pelas ruas em pedra ou pelas escadarias da cidade velha, é impossível não reconhecer os locais por onde passaram personagens como Cersei, Tyrion ou Daenerys.
Mas há mais:
Fortaleza de Lovrijenac – cenário do "Ninho de Corvo", com vista para o mar
Ilha de Lokrum – usada para cenas em Qarth
Split – as caves do Palácio de Diocleciano foram palco das cenas com os dragões
A Fortaleza de Klis foi usada como cenário para o exterior da cidade de Meereen, nas cenas da libertação liderada por Daenerys.
Estes locais não são apenas sets de filmagem, são patrimónios reais, com séculos de história, agora imortalizados no imaginário popular graças à série.
Viajar pela Croácia é como percorrer vários mundos num só país. Há o clima continental das zonas montanhosas, com vales frescos e paisagens verdejantes. Há o calor mediterrânico da costa, com praias cristalinas e pores do sol dignos de postal. E há ainda os inúmeros parques naturais e áreas protegidas, perfeitos para quem gosta de natureza no seu estado mais puro.
Com tudo isto, talvez a pergunta certa não seja "Porque viajar para a Croácia?", mas sim: "Como é que ainda não fui à Croácia?"
Como Chegar à Croácia – Voo até Zagreb
O nosso ponto de partida foi Zagreb, a capital da Croácia, e também uma excelente porta de entrada no país. Como a cidade tem um aeroporto internacional relativamente bem servido, é uma boa opção para quem vem de Portugal ou de outros países europeus. O Aeroporto Franjo Tuđman (ZAG) fica a cerca de 30 minutos do centro da cidade.
Chegar por Zagreb também tem outra vantagem: permite começar a viagem pelo interior do país e ir descendo até à costa, o que torna o roteiro mais lógico e agradável, sem necessidade de andar para trás.
Logo à chegada, levantámos o carro alugado no aeroporto e seguimos viagem. Conduzir na Croácia é bastante tranquilo, as estradas estão em boas condições, a sinalização é clara, e há autoestradas que facilitam bastante as deslocações mais longas.
Para um roteiro com paragens em vilas, parques naturais e regiões mais remotas, alugar carro é quase indispensável. Os transportes públicos até funcionam bem entre as grandes cidades, mas não chegam com facilidade aos locais mais isolados.
Outros aeroportos internacionais na Croácia:
Split (SPU) – Aeroporto de Resnik
Dubrovnik (DBV) – Aeroporto de Čilipi
Zadar (ZAD)
Pula (PUY)
Dicas Práticas para Viajar na Croácia
Capital: Zagreb
A capital da Croácia é Zagreb, uma cidade que mistura a elegância do estilo austro-húngaro com uma energia jovem, criativa e bem cultural. Zagreb é o centro político do país e também onde se concentram universidades, museus, galerias de arte e uma vida urbana vibrante. Mesmo que o teu foco seja a natureza ou a costa, vale a pena reservar um dia (ou pelo menos algumas horas) para explorar a capital.
Moeda: Euro (€)
Desde janeiro de 2023, a Croácia passou a usar o euro como moeda oficial, substituindo a antiga kuna. Para quem vem de Portugal ou de qualquer país da zona euro, isso é uma ótima notícia: nada de taxas de câmbio, trocas de moeda ou contas de cabeça. Muitos estabelecimentos ainda exibem os preços em kunas ao lado dos preços em euros, especialmente em menus, etiquetas de loja, supermercados ou mercados locais, mas apenas como referência.
Cidade mais cara: Dubrovnik, especialmente no verão
A cidade mais cara da Croácia é, sem dúvida, Dubrovnik, especialmente entre junho e setembro. O turismo em massa e a fama internacional, reforçada pela série Game of Thrones, tornaram esta cidade um destino premium.
Se estiveres com orçamento mais apertado, vale a pena equilibrar o tempo passado em Dubrovnik com outras zonas menos turísticas (e igualmente maravilhosas) como Zadar, Šibenik ou as ilhas menos conhecidas.
Idioma: Croata
A língua oficial é o croata, mas o inglês é amplamente falado, especialmente nas zonas turísticas, restaurantes, alojamentos e serviços.
Tomadas: Tipo C e F, 230V
As tomadas são do tipo C e F, tal como em Portugal, e a voltagem é 230 V. Ou seja, não precisas de adaptador para carregar o telemóvel, máquina fotográfica ou powerbank.
Fuso horário: +1 hora
A Croácia está uma hora à frente de Portugal continental (GMT+1). Uma diferença mínima que não costuma causar grandes ajustes, mas é bom lembrar.
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Primeira Paragem – Rastoke, a Aldeia de Conto de Fadas

Após passarmos a noite em Zagreb, começámos oficialmente a nossa roadtrip pela Croácia. Durante o percurso pela autoestrada, fomos apreciando a paisagem, com destaque para as florestas densas de carvalhos, que nos acompanharam grande parte do caminho.
A caminho dos famosos Lagos de Plitvice, fizemos uma paragem em Rastoke. Esta pequena aldeia, situada na confluência dos rios Slunjčica e Korana, é muitas vezes chamada de “Pequenas Plitvice” devido às águas límpidas, cascatas por todo o lado e uma forte ligação à natureza. As casas tradicionais e os moinhos dão um encanto mágico a este lugar.
Se vieres de Zagreb a caminho de Plitvice, é uma paragem que recomendamos e que merece umas horas de visita.
O que ver e fazer em Rastoke
Rastoke desenvolveu-se literalmente à volta da água. Aqui, o rio Slunjčica desagua no rio Korana, criando uma rede de cascatas, rápidos e pequenos lagos. As formações de tufo calcário (travertino) moldaram a paisagem, criando plataformas rochosas e quedas de água que parecem saídas de um postal. O som da água acompanha-nos por todo o lado, ao explorarmos este local.
Moinhos centenários
A força da água deu origem aos famosos moinhos de Rastoke. No final do século XIX, havia mais de 20 moinhos em funcionamento. Alguns deles ainda podem ser visitados hoje, como o Jarebovi Mlinovi, onde se pode ver o processo de moagem tradicional e comprar farinha artesanal.
Os moinhos são construções únicas, com bases de travertino e estruturas de madeira, integradas de forma natural na paisagem.
As cascatas de Rastoke
Os rios Slušnica (Slunjčica) e Korana encontram-se aqui, e, no local onde os rios se unem,
formou-se um grande depósito de tufa, criando 23 cascatas, com alturas que não ultrapassam os 20
metros, além de uma sucessão de rápidos e poços.
Rastoke tem várias cascatas, todas com nomes e histórias próprias. Estas são algumas das mais emblemáticas:
VILINA KOSA (Cabelo de Fada) – A última cascata por onde o rio Slunjčica mergulha
no Korana faz lembrar um cabelo brilhante, espesso e solto, como aquele que, na mitologia eslava,
adornava as fadas que viviam nas margens dos rios.
BUK – Esta cascata espessa e em forma de véu é a maior de Rastoke. O buk de
Rastoke seria ainda maior e mais impressionante se não tivesse ocorrido, em 1914, o colapso de
enormes barreiras de travertino, que elevaram o nível do rio Korana e, assim, reduziram a sua
altura. Buk é quase sinónimo da palavra "cascata", especialmente nas regiões cársicas e da Dalmácia, na Croácia.
PRVI SLAP (PRIMEIRA CASCATA) – Esta cascata corre por baixo de um espaço turístico, outrora um moinho. Em Rastoke diz-se que se dorme melhor ao som de uma cascata.
CASCATA DE HRVOJE – Numa noite de primavera de 1914, durante o período de forte
derretimento da neve acumulada no inverno, os habitantes de Rastoke foram acordados por um
estrondo que pensaram ser um terramoto. Na verdade, a natureza destruiu, da noite para o dia, algo
que levou anos a formar.. Enormes blocos de travertino provocaram um deslizamento de terras que alterou o curso e o aspeto da Cascata de Hrvoje.
Curiosidade: as lontras vivem nas fendas do tufo calcário. Com um pouco de sorte e silêncio, podes ver uma!
Lendas à beira-rio
Já passou muito tempo desde que as margens dos rios eram o lar das fadas, seres míticos da
mitologia eslava. A estas figuras misteriosas eram atribuídos poderes sobrenaturais; vestiam-se de branco e usavam uma coroa ou uma grinalda de ramos verdes na cabeça. Entrançavam o seu cabelo espesso e faziam o mesmo com as crinas dos cavalos que roubavam aos moleiros, cavalgando-os pela noite
fora. Com as suas danças, seduziam facilmente um homem, ajudando-o muitas vezes, mas também se
vingavam se ele quebrasse a sua promessa.
Em tempos, quando as fadas viviam entre nós, conduziam viajantes perdidos através do nevoeiro até ao caminho certo, curavam doenças com ervas, embalavam crianças inquietas ou concediam-lhes poderes sobrenaturais.
Estas criaturas míticas, dotadas de poderes mágicos, protegiam as fontes puras. Há toda uma aura mágica em Rastoke que faz pensar que essas histórias não estão assim tão longe da realidade.
Caminhada pela Promenade
A promenade é de acesso livre durante todo o ano e todos os dias. A parte gratuita do percurso inclui um passeio linear (ida e volta pelo mesmo caminho). A versão circular do passeio inclui o trilho Vodene Tajne (“Segredos da Água”), com bilhete pago.
Bilhete de entrada (Vodene Tajne): 5€
Inclui:
• Travessia da nova ponte junto ao moinho Jareb.
• Acesso ao cânion do rio Korana e suas cascatas.
• Visita a zonas terrestres sinalizadas.
Onde comprar o bilhete:
• Online: webshop.slunj.hr
• Nos quiosques automáticos (somente com cartão):
◦ Entrada 1 (vindo de Zagreb)
◦ Entrada 3 (vindo dos Lagos Plitvice, junto à ponte de São João)
Visitas especiais
• OPG Jarebovi mlinovi
Pequeno moinho tradicional onde se pode comprar farinha artesanal.
Reservas por email: jarebovi.mlinovi@gmail.com
• Slovin Unique Rastoke
Quinta privada com acesso pago.
Pontes com história

As pontes de Rastoke são outro ponto de interesse. Algumas datam do início do século XIX e foram importantes para o desenvolvimento da região. Uma das mais antigas exibe a imagem de São João Nepomuceno, como era costume nas pontes da Europa Central. A ponte Moćan, em madeira, é um exemplo raro da arquitetura do início do século XX e foi renovada em 2015.
Acessos e estacionamento
De carro: fácil acesso desde Zagreb (cerca de 1h30), mas o estacionamento pode ser escasso em época alta.
De autocarro: há paragens e zonas de estacionamento específicas para autocarros e mini-autocarros, indicadas localmente.
Onde comer
A especialidade da região é a truta fresca, graças às águas frias e limpas dos rios. A maioria dos restaurantes locais serve pratos à base de truta, acompanhados por pão caseiro, mel e produtos da região. Simples e delicioso!
Dois Dias em Plitvice – Uma Imersão na Natureza Selvagem da Croácia
O Parque Nacional dos Lagos de Plitvice

É difícil exagerar quando se fala dos Lagos de Plitvice. Este é o parque nacional mais antigo da Croácia e, muito provavelmente, o mais famoso. Inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO desde 1979, este local é um verdadeiro espetáculo natural — com 16 lagos interligados por cascatas, passadiços de madeira suspensos sobre a água, florestas frondosas e uma biodiversidade surpreendente.
O parque cobre quase 300 km², embora a área dos lagos represente apenas cerca de 1% do total. O resto é floresta densa, prados, montanhas e formações cársicas.
O fenómeno do Tufo Calcário

O tufo calcário (ou travertino) é uma rocha que se forma a partir da precipitação de minerais da água. Estas formações criam barreiras naturais que vão separando os lagos e formando as cascatas. Este processo ainda está em curso. As barreiras continuam a crescer lentamente, o que significa que o parque está em constante transformação. Aqui, a paisagem é literalmente viva.
Explorar os Lagos Superiores
Após a paragem em Rastoke, fomos explorar os Lagos Superiores (Upper Lakes). Estes são compostos por 12 lagos, que repousam sobre rochas de dolomite impermeável. Aqui, a água corre lentamente por margens sinuosas e vegetação densa, criando um ambiente mais sereno e natural.
Entrámos pela Entrada 2, que dá acesso direto à zona central do parque. A primeira etapa foi atravessar o lago Kozjak de barco elétrico, uma travessia tranquila que está incluída no bilhete de entrada e que nos levou até ao início do percurso pedestre pelos lagos superiores.
Seguimos por passadiços de madeira que nos levaram a ver lagos como o Galovac, o Gradinsko e o lago Prošćansko, o que se encontra a maior altitude.
No final do percurso pelos Lagos Superiores, apanhámos o comboio elétrico panorâmico de volta à entrada 2. Tal como o barco, o comboio está incluído no bilhete do parque, e oferece vistas muito agradáveis da floresta.
Explorar os Lagos Inferiores e a Cascata Veliki Slap
No segundo dia, acordamos bem cedo para evitarmos multidões e fomos visitar os Lagos Inferiores (Lower Lakes). O grupo dos Lagos Inferiores de Plitvice é constituído por quatro lagos, divididos por barreiras de calcário (tufa): O Milanovac, o Gavanovac, o Kaluđerovac e o Novakovića brod. Estes quatro lagos estão encaixados num desfiladeiro profundo, com margens calcárias e paredes verticais de 40 metros de altura.
Desta vez, entramos pela Entrada 1 e fomos descendo em direção a um dos pontos mais esperados: a cascata Veliki Slap, com 78 metros de altura. É a mais alta da Croácia, e absolutamente deslumbrante.
Depois de apreciar a cascata, continuámos o trilho até ao lago Kozjak, onde fizemos uma pausa para almoçar. Encontrámos um espaço agradável, com mesas de madeira num prado amplo junto à margem do lago.

Seguimos depois na travessia de barco elétrico, atravessando o lago para o lado oposto, e regressamos à entrada 1 por um percurso pedestre junto à margem oposta do lago, com uma panorâmica diferente. Esta parte do percurso é mais calma e, por isso, oferece uma excelente oportunidade para observar a natureza com mais atenção. Vimos vários peixes, cobras, anfíbios e insectos, assim como uma flora bastante diversa.
Florestas de faias — Património natural de valor universal
As florestas de faias que cobrem grande parte do Parque Nacional dos Lagos de Plitvice fazem parte das "Florestas Primárias de Faias dos Cárpatos e de Outras Regiões da Europa", classificadas como Património Mundial da UNESCO. Estas florestas destacam-se por serem ecossistemas praticamente intactos, onde a natureza evolui sem intervenção humana significativa, permitindo a observação de processos ecológicos raros e valiosos.
Dominadas pelo fagus sylvatica (faia europeia), estas florestas albergam uma rica biodiversidade, desde líquenes e fungos raros, até mamíferos como o urso-pardo, o lobo e o lince. O solo coberto de folhas, os troncos tombados em decomposição e a variedade de micro-habitats criam um mosaico ecológico vital para muitas espécies ameaçadas.
Lago Kozjak – O coração do parque
O lago Kozjak é o ponto de ligação entre os dois conjuntos de lagos. Com 2,35 km de comprimento e até 48 metros de profundidade, é o maior de Plitvice. É aqui que se embarca nos barcos elétricos que cruzam a água de forma silenciosa e ecológica.
Além disso, é aqui que se pode apanhar o “comboio” turístico (um pequeno autocarro com aspeto de comboio), que percorre a parte superior do parque e facilita o regresso ao ponto de partida.
O sistema cársico e os segredos subterrâneos

Plitvice faz parte da zona cársica dos Alpes Dináricos, uma região geológica fascinante com grutas, dolinas e algares. Só nesta zona já foram identificadas mais de 100 formações espeleológicas, algumas visíveis desde os trilhos.
Percursos e regras do parque
Plitvice tem 7 percursos principais de visita aos lagos e 4 trilhos pedestres, todos bem sinalizados. É obrigatório manter-se nos trilhos marcados, não deixar lixo, não tocar nas plantas ou rochas e respeitar a fauna local.
O parque está aberto todo o ano, mas a experiência muda consoante a estação. No inverno, o parque cobre-se de neve e gelo e parece saído de um conto nórdico.
Informações práticas para visitar Plitvice
Entradas: recomendamos comprar bilhetes antecipadamente, especialmente se a visita for nos meses de julho e agosto.
Os preços variam conforme a época:
Época alta (junho a setembro): até 40 € por dia (adultos)
Época baixa (novembro a março): 10 €
Existe a opção de bilhete para 1 ou 2 dias — nós optámos pelo bilhete de 2 dias, o que nos permitiu explorar com calma os Lagos Superiores e Inferiores em dias diferentes.
Podes comprar os bilhetes no site oficial: https://ticketing.np-plitvicka-jezera.en/
Transporte: há comboios e barcos elétricos incluídos no bilhete, que ajudam a encurtar distâncias.
Restaurantes: existem cafés e áreas para refeições simples dentro do parque, mas também há opções nas vilas próximas.
Alojamento em Plitvice: Ficar alojado dentro ou perto do parque é uma excelente opção, especialmente se estiveres a fazer o bilhete de 2 dias. Se pernoitares num destes hotéis, o bilhete de entrada para o segundo dia é gratuito. O Parque Nacional de Plitvice tem alojamentos oficiais com boa relação qualidade-preço:
Hotel Jezero (o mais próximo da entrada 2)
Hotel Plitvice
Hotel Bellevue
Também há várias guesthouses, apartamentos e B&B nas imediações, ideais para quem prefere uma estadia mais tranquila e económica.
Skradin: Entrada para o Parque Nacional de Krka
Depois de passarmos a manhã a explorarmos os Lower Lakes, em Plitvice, partimos para a encantadora vila de Skradin, considerada uma das portas de entrada mais cénicas do parque. Situada nas margens do rio Krka, Skradin combina ambiente mediterrânico, história e natureza num cenário pitoresco.
Antes ou depois da visita ao parque, vale a pena reservar um tempo para explorar:
Centro histórico com ruelas de pedra e fachadas coloridas.
Castelo de Turina. Situado num ponto elevado da vila, o castelo oferece
vistas panorâmicas sobre o rio e os arredores. Uma curta caminhada leva-te até ao topo,
vale a pena pelo cenário e pelas fotografias!
Praia fluvial, ideal para um mergulho nos dias quentes.
Marina de Skradin, de onde partem os barcos para Skradinski Buk.
Provar a gastronomia de Skradin. O prato mais emblemático é o Skradinski rižot, um risoto de carne cozinhado lentamente durante várias horas (dizem que chega a levar 12h) e preparado, segundo a tradição, apenas por homens. Além disso, há peixe fresco do rio e do mar, queijo de ovelha curado, mel de alecrim, figos secos e vinhos brancos locais, perfeitos para acompanhar uma refeição junto ao rio.
Curiosidade: Skradin é uma das localidades preferidas de Bill Gates para passar férias.
Parque Nacional de Krka

O Parque Nacional de Krka, situado na região da Dalmácia, no sul da Croácia, é um verdadeiro santuário de natureza, história e cultura. Criado em 1985, o parque protege a maior parte do curso do rio Krka, conhecido pelas suas águas cristalinas, cascatas deslumbrantes e rica biodiversidade.
Skrandinski Buk
Antes de mais, vale referir que há várias entradas para o Parque Nacional de Krka. Nós optámos por entrar de carro pela entrada de Lozovac (com parque de estacionamento gratuito), mas também é possível aceder ao parque de forma mais cénica: através de um passeio de barco desde o porto de Skradin.
Skradinski Buk é, sem dúvida, a cascata mais famosa e fotografada do parque. Esta é uma das mais belas formações de travertino da Europa, composta por 17 quedas de água que se estendem ao longo de quase 800 metros. Aqui, o rio Krka forma uma série de lagos e rápidos rodeados por uma vegetação exuberante. É um cenário absolutamente idílico, acessível por trilhos e passadiços de madeira. A zona é também rica em património etnográfico, com moinhos antigos restaurados que mostram como se vivia e trabalhava junto ao rio.
Nos trechos verticais das quedas, musgos ajudam a formar autênticas cortinas verdes. Tudo isto contribui para a atmosfera mágica de Skradinski buk, pontuada pelo voo colorido das libélulas e borboletas.
Nas margens, os antigos moinhos de água, engenhos para batedura de tecidos e tanques de lavagem foram cuidadosamente restaurados, acolhendo lojas de recordações, cafés e exposições sobre a história local. Do lado esquerdo do rio, encontram-se as ruínas da primeira central hidroelétrica croata Jaruga I, inaugurada a 28 de agosto de 1895.
Visovac - ilha com um Convento Franciscano
No meio do lago formado pelo rio Krka, entre as cascatas de Roski Slap e Skradinski Buk, ergue-se a pequena ilha de Visovac. Nesta ilha serena, rodeada por águas calmas e vegetação densa, encontra-se um convento franciscano fundado no século XV. O mosteiro alberga uma valiosa biblioteca, manuscritos antigos e arte sacra. A visita à ilha é feita de barco, permitindo uma perspetiva encantadora da paisagem envolvente.

A ilha de Visovac é um dos lugares naturais e culturais mais importantes da Croácia. Rodeada pelas águas tranquilas do lago com o mesmo nome, este pequeno ilhéu alberga uma história rica em espiritualidade e resistência.
Inicialmente habitada por eremitas de Santo Agostinho, foi em 1445 que os Franciscanos se estabeleceram na ilha, onde mais tarde construíram o mosteiro e a igreja da Nossa Senhora da Misericórdia, concluídos em 1576. Desde então, Visovac tornou-se um verdadeiro refúgio de paz e oração, mesmo nos períodos mais conturbados da história dos Balcãs.
No seu interior, guarda uma notável coleção arqueológica, relíquias litúrgicas, vestes e recipientes cerimoniais, bem como uma biblioteca rica em obras valiosas e incunábulos (livros impressos antes de 1501).
O coração espiritual de Visovac é o quadro de Nossa Senhora, que, segundo a tradição, foi trazido pelos franciscanos aquando da sua fuga da Bósnia perante a ameaça otomana. Por esta devoção secular, Visovac é conhecida como a Ilha de Nossa Senhora.
Roski Slap
Depois da visita a Visovac, o passeio de barco continua até Roški Slap. Ainda a bordo, já se avista a maior queda de água, que desagua com estrondo no lago.
Após o desembarque, aproveitámos o tempo livre para fazer um pequeno percurso pedestre e admirar as belas cascatas de tufa calcária, conhecidas como “os Colares” (Necklaces), pela forma delicada e ondulante das suas formações.
Junto ao cais, há uma pequena zona de lazer onde é possível dar um mergulho ou simplesmente relaxar na margem do lago. Também existe um restaurante acolhedor num antigo moinho de água restaurado.
Mesmo ao lado, encontra-se um centro interpretativo, que vale a pena visitar. Ali podes aprender mais sobre a história da região, as tradições ligadas ao rio Krka, e ver como funcionavam os moinhos.
Nas imediações, situa-se ainda a gruta de Oziđana pećina, onde foram descobertos os vestígios mais antigos da presença humana nesta zona.
Dicas práticas para visitar o Parque Nacional de Krka
Entradas no Parque
O Parque Nacional de Krka tem várias entradas, e a escolha da melhor depende do tipo de visita que pretendes fazer:
Lozovac – Entrada principal, com parque gratuito e ideal para quem vem de carro. Permite o acesso direto à área de Skradinski Buk.
Skradin – Entrada fluvial, acessível através de um passeio de barco pelo rio Krka (incluído no bilhete). Uma forma cénica e popular de iniciar a visita.
Roški Slap, Burnum, Kistanje, Krka Eco Campus Puljane e outras – ideais para explorar zonas específicas do parque ou fazer trilhos menos concorridos.
Bilhetes e Preços
Os bilhetes podem, e devem, ser comprados antecipadamente através do site oficial do parque, especialmente na época alta.
Os preços variam consoante a estação do ano:
Alta temporada (junho a setembro): 40 € (adulto)
Meia temporada (abril-maio e outubro): cerca de 20–25 €
Baixa temporada (novembro a março): 7–10 €
Crianças, estudantes e seniores beneficiam de preços reduzidos.
Os passeios de barco não podem ser reservados online com antecedência. Os bilhetes são adquiridos no próprio dia, em quiosques no parque.
Passeios de Barco
O parque oferece vários tipos de passeios fluviais. Aqui estão os mais populares:
Skradin → Skradinski Buk (ida e volta) – Incluído no bilhete regular.
Skradinski Buk → Ilha de Visovac → Roški Slap → Skradinski Buk – Passeio circular com paragens.
Roški Slap → Mosteiro de Krka → Troviska Glavica – Focado no património religioso.
Passeios especiais para grupos – Podem incluir visitas guiadas ou percursos temáticos.
Dica: os horários e disponibilidade dos barcos podem variar com as condições climatéricas e o nível das águas. Informa-te no centro de visitantes no dia da tua visita.
Trilhos Pedestres e Natureza
Existem mais de 20 km de trilhos pedestres bem sinalizados dentro do parque, ideais para explorar com calma e descobrir miradouros, moinhos antigos, ruínas romanas e zonas menos turísticas.
Chegada à Dalmacia – Makarska e a Magia do Adriático
De Skradin, seguimos viagem rumo à Dalmácia, em direção ao nosso próximo alojamento, em Makarska. Situada entre o mar e o imponente maciço montanhoso de Biokovo, Makarska é uma das estâncias balneares mais conhecidas da Croácia. A cidade faz parte da famosa Riviera de Makarska, conhecida pelas praias de seixos brancos, águas cristalinas e um ambiente tipicamente mediterrânico. Foi a base perfeita para explorarmos esta parte da Croácia!
A mudança de paisagem trouxe também uma mudança clara no clima. Em Makarska apanhámos dias muito quentes e condições típicas do fenómeno local conhecido como jugo, um vento quente e húmido que sopra do sudeste, vindo do Mediterrâneo e do Norte de África e que deixa o ambiente pesado. Segundo nos explicaram mais tarde, é um tipo de tempo que os dálmacos não apreciam muito, pois provoca cansaço, menor energia e alguma falta de clareza mental. É exatamente o oposto do Bura (vento frio e seco do norte), que traz céu limpo, visibilidade incrível e mais energia. Por isso, os dálmacos costumam dizer que:
“Quando o jugo sopra, nada apetece fazer.”
No dia seguinte, ainda antes do amanhecer, acordámos cedo e partimos para Split, onde nos esperava um dos pontos altos da viagem: um tour de dia inteiro pelas ilhas do Adriático.
Split: Património Mundial da Unesco
Localizada entre o azul profundo do mar Adriático e as colinas verdes de Marjan, Split é a segunda maior cidade da Croácia e um verdadeiro museu a céu aberto. A sua joia mais preciosa é o Palácio de Diocleciano, construído no século IV pelo imperador romano que lhe dá nome — um dos mais bem preservados palácios romanos do mundo.
É precisamente este palácio — e a zona histórica que o envolve — que fizeram com que Split fosse classificada como Património Mundial da UNESCO em 1979. Mas o mais fascinante é que este não é um sítio arqueológico “fechado”: o antigo palácio continua vivo. Ruas, lojas, restaurantes, apartamentos e praças desenvolvem-se dentro e ao redor das muralhas romanas, criando um ambiente único onde o passado e o presente se entrelaçam. Hoje em dia, Split oferece aos seus visitantes uma mistura irresistível de património, cultura e charme mediterrânico.
As principais atrações de Split
Palácio de Diocleciano (Património Mundial da UNESCO)
O imponente complexo romano que é hoje ainda o coração da cidade antiga, construído no século IV. Inclui:
Golden Gate (Porta Áurea) – A mais elaborada das quatro entradas principais do palácio, ladeada pela estátua do Bispo Gregório de Ninputopis.
Peristilo – O pátio central com colunas coríntias, onde se filmaram cenas de Game of Thrones (trono de Daenerys).
Vestíbulo – espaço monumental de planta circular que servia de acesso aos aposentos imperiais. Funcionava como entrada cerimonial do palácio, ligando as diferentes áreas do complexo romano e destacando-se pela sua arquitetura imponente.
Caves do Palácio (Podrumi) – a estrutura subterrânea que sustentava os aposentos imperiais do Palácio de Diocleciano. Hoje, são uma das áreas mais bem preservadas do complexo e podem ser visitadas. As Caves do Palácio (Podrumi) serviram de cenário para os interiores da cidade de Meereen na série Game of Thrones, acolhendo atualmente exposições dedicadas à série.
Catedral de São Dómnio (Sveti Duje)
Originalmente o mausoléu do imperador Diocleciano, foi posteriormente transformado em catedral cristã. Destaca-se pela sua torre sineira com 57 metros de altura.
Fruit Square (Voćni trg)
Antiga praça do mercado de fruta, hoje um espaço histórico com forte influência veneziana, onde se encontra a estátua de Marko Marulić, considerado o pai da literatura croata.
Riva (Promenade)
Passeio marítimo animado com cafés e eventos culturais.
Marjan Forest Park & Marjan Hill (Marjan Hill Stairs)
Conhecido como o pulmão verde de Split, este parque florestal eleva-se até cerca de 178 metros de altitude e oferece vistas panorâmicas incríveis sobre a cidade, o mar Adriático e as ilhas vizinhas. É um espaço ideal para caminhadas, corridas, ciclismo e momentos de descanso, com trilhos bem sinalizados, pequenas praias escondidas, miradouros e capelas históricas espalhadas pelo percurso. A subida pelas famosas escadarias de Marjan é recompensada com um dos melhores panoramas de Split.
Tour pelas Ilhas do Adriático – Hvar, Pakleni, Lagoa Azul e mais
Este tour de dia inteiro pelas ilhas do Adriático proporcionou um dia inesquecível. Com uma duração aproximada de 10 horas, é ideal para quem quer conhecer várias ilhas num só dia e sentir o verdadeiro espírito da região, marcado pela famosa “fjaka”, a arte croata de viver sem pressas.
Neste dia específico, não foi possível visitar a Gruta Azul, devido às condições do mar associadas ao jugo, que tornaram a entrada insegura. Ainda assim, incluímos a Gruta Azul neste roteiro por ser um dos pontos mais emblemáticos da região. Curiosamente, na viagem que organizámos no ano seguinte com um grupo, tivemos mais sorte: o mar estava calmo e foi finalmente possível entrar na gruta, considerada uma das grandes maravilhas naturais da Croácia.
Blue Cave (Gruta Azul)
A Blue Cave, situada na ilha de Biševo, é uma das formações naturais mais icónicas da Croácia e uma das principais atrações dos tours pelo Adriático. O fenómeno que a torna tão especial acontece quando a luz solar entra por uma abertura subaquática e se reflete no fundo da gruta, iluminando o interior com um brilho azul intenso. Este efeito é mais visível durante as horas centrais do dia e depende muito da luminosidade e do estado do mar.
A gruta integra uma área natural protegida, o que implica regras rigorosas de acesso para preservar o seu ecossistema. A visita é feita apenas em pequenas embarcações autorizadas, e não é permitido nadar no interior. O número de entradas diárias é controlado e, sempre que as condições do mar não são seguras, o acesso pode ser temporariamente suspenso.
Por esse motivo, a visita à Blue Cave está sempre condicionada ao estado do mar. Ondulação, vento ou alterações súbitas do tempo podem impedir a entrada, mesmo em dias aparentemente favoráveis. Quando isso acontece, os skippers ajustam o percurso e seguem para locais alternativos, onde é possível nadar e continuar a aproveitar o dia, com a segurança como prioridade.

Komiža (Ilha de Vis)
Situada na costa ocidental da ilha de Vis, Komiža é uma das vilas mais autênticas e preservadas da Croácia. Sendo uma antiga comunidade piscatória, mantém um ambiente tranquilo, com ruas estreitas e casas de pedra.
Durante grande parte do século XX, a ilha de Vis teve um papel estratégico como base militar naval da antiga Jugoslávia. Por esse motivo, esteve fechada a estrangeiros até 1989, o que acabou por travar o desenvolvimento turístico em massa e preservar o seu carácter genuíno. Ganhou também projeção internacional por ter servido de cenário ao filme “Mamma Mia! Here We Go Again”, despertando a curiosidade de muitos visitantes.
O porto de Komiža é o coração da vila, rodeado por cafés e restaurantes com esplanadas junto ao mar. Entre as recomendações mais conhecidas está o Corto Maltese, muito elogiado pela sua cozinha mediterrânica à base de peixe fresco, marisco e produtos locais, uma excelente opção para quem quiser almoçar com vista para o Adriático.
No campo cultural, destaca-se o Kaštel de Komiža, uma antiga fortaleza veneziana do século XVI que hoje alberga o Museu Marítimo de Komiža. O museu conta a história da pesca, da navegação e da forte ligação da vila ao mar, com destaque para as embarcações tradicionais e o modo de vida dos pescadores.
Komiža é também um excelente ponto de partida para explorar pequenas praias e enseadas de águas cristalinas, bem como para praticar mergulho. Existem vários centros especializados que organizam saídas para grutas submersas e antigos naufrágios, aproveitando a excelente visibilidade do mar em redor da ilha.
Um dos momentos mais especiais da nossa passagem por Vis foi uma prova de vinhos numa pequena adega familiar, uma experiência simples e muito genuína, que nos permitiu conhecer melhor os vinhos locais.
Hvar
Hvar é uma das ilhas mais conhecidas e visitadas da Croácia. Elegante, animada e cheia de história, a cidade de Hvar Town é uma paragem incontornável em qualquer tour pelas ilhas do Adriático a partir de Split.
Em Hvar, tivemos tempo livre para explorar ao nosso ritmo, passeando pelo porto, pelas ruas de pedra do centro histórico e pelas praças cheias de vida. Em Hvar Town encontra-se o teatro público mais antigo da Europa (fundado em 1612), assim como palácios renascentistas que testemunham o passado próspero da cidade.
Subimos à Fortaleza de Hvar, também conhecida como Španjola. Situada no topo da colina acima da cidade, oferece uma das vistas panorâmicas mais bonitas da Dalmácia, com o porto de Hvar e as ilhas Pakleni mesmo em frente.

Construída pelos venezianos no século XVI, sobre estruturas medievais mais antigas, a fortaleza conserva muralhas, torres defensivas e uma pequena exposição arqueológica. É, sem dúvida, o melhor miradouro da cidade, especialmente ao final da tarde, quando a luz do pôr do sol transforma a paisagem.
A subida faz-se a pé, numa caminhada de cerca de 20 a 30 minutos desde o centro histórico, por um trilho em ziguezague com escadas, que atravessa um jardim mediterrânico.
Curiosidade: O nome Španjola vem dos engenheiros espanhóis que participaram na construção da fortaleza.
Depois da subida à Fortaleza, ainda tivemos tempo para um mergulho nas águas límpidas do Adriático (o nosso primeiro da viagem). A temperatura da água é bastante agradável, mas convém levar sapatos de água, já que a maioria das praias da região é composta por seixos, e não de areia.
Hvar é uma ilha muito procurada por embarcações de luxo, celebridades e viajantes de todo o mundo, com bastante animação e um ambiente marcadamente cosmopolita. A paragem seguinte, nas mais selvagens ilhas Pakleni, foi particularmente bem-vinda!
Ilhas Pakleni
A curta travessia desde Hvar leva-nos a um cenário completamente diferente. As Ilhas Pakleni fazem parte de uma área natural protegida, reconhecida pela sua importância paisagística e ecológica. Este pequeno arquipélago, composto por mais de 20 ilhéus e rochedos, estende-se ao largo da costa sudoeste da ilha de Hvar e distingue-se pelo seu carácter mais selvagem e pouco urbanizado.
A nossa paragem foi na Ilha Stipanska, onde se encontra o beach club Carpe Diem. O espaço dispõe de espreguiçadeiras, cabanas e um icónico baloiço suspenso no mar, que se tornou um dos pontos mais fotografados da zona. O local é bastante procurado para cocktails ao pôr do sol e festas com DJs, sobretudo durante o verão.
As Pakleni são um excelente refúgio para quem procura enseadas abrigadas, praias de seixos e águas muito transparentes, ideais para nadar e fazer snorkelling. Regra geral, os barcos disponibilizam máscaras de snorkel, mas é sempre boa ideia levar o teu próprio equipamento.
Grande parte das ilhas é coberta por pinheiros mediterrânicos, que oferecem sombra natural junto ao mar. Muitas enseadas só são acessíveis de barco, o que contribui para um ambiente mais tranquilo e preservado. Durante a paragem, aproveitámos para mergulhar e, claro, tirar a clássica fotografia no baloiço.

Blue Lagoon (Lagoa Azul)
A Blue Lagoon, localizada na ilha de Budikovac, situa-se ao largo da ilha de Vis, rodeada por pequenos ilhéus que ajudam a proteger a baía do vento e da ondulação. Este enquadramento natural, aliado ao fundo marinho claro e pouco profundo, é responsável pelas tonalidades azul-turquesa intensas que tornaram este local tão conhecido. As águas são muito transparentes e calmas, ideais para nadar, fazer snorkeling e explorar a vida marinha. Existe também um bar na ilha para bebidas e pequenos snacks.
Praia de Stiniva
A Praia de Stiniva, situada na costa sul da ilha de Vis, é uma pequena enseada encaixada entre falésias íngremes, frequentemente apontada como uma das praias mais bonitas da Croácia. O seu acesso estreito, quase escondido entre as rochas, abre-se para uma baía protegida de águas azul-turquesa e seixos brancos.
A praia tornou-se especialmente conhecida depois de ter sido eleita a melhor praia da Europa em 2016, distinção que ajudou a projetá-la internacionalmente. As falésias que a rodeiam chegam a cerca de 35 metros de altura, criando um enquadramento natural impressionante. O acesso pode ser feito a pé, por um trilho íngreme, ou de barco, que é a opção mais comum e prática durante os tours pelas ilhas. Por se tratar de uma área protegida, embarcações de maior dimensão não podem entrar na enseada, o que ajuda a preservar o seu carácter natural.
Nos meses de verão, Stiniva pode ficar bastante concorrida. Quando isso acontece, a paragem costuma ser mais curta, com tempo para um mergulho rápido, seguindo depois para locais mais tranquilos nas proximidades. Ainda assim, mesmo uma visita breve permite perceber porque esta enseada é considerada um dos grandes ícones naturais do Adriático.
Parque Natural de Biokovo — Onde a montanha encontra o Adriático
O Parque Natural Biokovo estende-se imediatamente atrás da Riviera de Makarska, formando uma das paisagens mais impressionantes da Dalmácia. A cadeia montanhosa ergue-se de forma abrupta a partir do mar Adriático, criando um contraste raro entre falésias calcárias, paisagens áridas de altitude e vistas marítimas abertas.
Com um território marcado por relevo cársico, o parque destaca-se pela grande biodiversidade, incluindo numerosas espécies endémicas de flora, e por panoramas que, em dias limpos, permitem avistar ilhas dálmatas e até a costa italiana. O ponto mais alto é o Sveti Jure, com 1.762 metros, um dos cumes mais elevados da Croácia.
Uma das atrações mais recentes e emblemáticas é o Skywalk Biokovo, uma plataforma de vidro suspensa sobre o mar, que oferece uma perspetiva única sobre a costa e o Adriático.
A nossa experiência no Parque Natural Biokovo
Visitámos o parque através de um tour organizado a partir de Makarska, uma opção que recomendamos vivamente devido à estrada estreita, íngreme e sinuosa que dá acesso ao parque. A subida foi feita num mini-autocarro, sempre acompanhados por um guia local, o que tornou a experiência mais segura e informativa.
O acesso ao Parque Natural Biokovo faz-se pela Biokovska cesta, uma impressionante estrada de montanha construída em meados do século XX e escavada diretamente na rocha calcária. Ao longo de cerca de 23 quilómetros, a estrada sobe rapidamente desde o nível do mar até altitudes superiores a 1.200 metros, vencendo dezenas de curvas apertadas, muitas delas sem proteção lateral. Durante anos, foi a estrada asfaltada mais alta da Croácia, e continua a ser uma das mais exigentes do país. À medida que se sobe, a sensação é inevitavelmente vertiginosa, para alguém como eu, que não é totalmente imune às alturas.
Ao longo do percurso, fizemos várias paragens em miradouros, onde aprendemos mais sobre a flora, a geologia e o clima particular da região. Um dos pontos altos foi, naturalmente, a visita ao Skywalk Biokovo, situado a 1.228 metros de altitude, onde a plataforma de vidro se projeta para lá da falésia e oferece uma vista impressionante sobre as ilhas do Adriático e até à costa italiana.
O tour incluiu ainda uma pequena caminhada fácil até um miradouro em altitude, tempo para fotografias e um momento de pausa com chá de montanha e bolo caseiro, um detalhe simples mas muito agradável. Durante a visita, foi também possível observar cavalos selvagens, comuns nesta zona do parque.
O parque dispõe de vários trilhos pedestres. No entanto, não é recomendado percorrê-los durante o verão, devido ao clima muito quente e seco, à escassez de sombra e de pontos de água. Existem registos oficiais de acidentes graves e mortes ao longo dos anos, sobretudo associados a desidratação, insolação, desorientação e subestimação do relevo e das condições climáticas. Por esse motivo, as autoridades croatas e o próprio Parque Natural Biokovo desaconselham caminhadas longas no verão. As melhores épocas para explorar os trilhos do parque são a primavera e o outono.
Praias de Makarska
O tour ao Parque Natural Biokovo ocupou apenas meio dia, pelo que dedicámos a última tarde a relaxar na praia, como tínhamos prometido à nossa filha.
Makarska é conhecida pelas suas praias de seixos brancos, águas límpidas e pela excelente qualidade do mar. A maioria das praias estende-se ao longo da Riviera de Makarska, com o maciço do Biokovo a servir de pano de fundo.
Algumas das praias mais populares incluem:
Praia de Makarska (Donja Luka) — mesmo junto ao centro, com bons acessos, bares e atividades aquáticas.
Biloševac — mais tranquila, ideal para famílias.
Nugal — rodeada por natureza, acessível por trilho, uma das mais bonitas da região.
Baška Voda e Brela (nas proximidades) — frequentemente citadas entre as melhores praias da Croácia.
Tal como noutras zonas da Dalmácia, é aconselhável levar sapatos de água, já que o acesso ao mar é feito sobre seixos.
À noite, a temperatura continuava elevada, mesmo depois do pôr do sol. Aproveitámos para dar um passeio pela Promenade de Makarska, que estava especialmente animada.
No porto de Makarska, decorria a tradicional Festa do Pescador, um evento popular de verão que celebra a ligação da cidade ao mar e à pesca. As ruas enchem-se de pessoas, há concertos ao ar livre, música tradicional, e várias barraquinhas de comida, sobretudo com petiscos à base de peixe e marisco. O ambiente é informal, animado e muito local, uma ótima forma de terminar o dia.
Durante o passeio pelo porto, chamou-nos também a atenção um restaurante instalado num barco, atracado mesmo no centro de Makarska, perto do ferry. Trata-se do barco Makarski Jadran, que de dia realiza viagens à ilha de Hvar e Brac, e de noite que serve jantares à base do peixe pescado no próprio dia. O serviço decorre normalmente ao final da tarde e à noite, e os preços são descritos como bastante acessíveis, rondando os 10 a 15 € por pessoa. Acabou por ficar na lista para uma próxima visita.

E assim damos por concluído o nosso roteiro pela Croácia. Ainda tivemos um dia extra para regressar a Zagreb e apanhar o voo de regresso, mas preferimos fechar esta viagem aqui, entre o Adriático e as montanhas. Ficam as boas memórias, e vontade de regressar.

Conclusão: porque recomendamos este itinerário?
Ritmo do itinerário - combinação de dias mais ativos com momentos de descanso.
Variedade de experiências: caminhar por trilhos suspensos sobre lagos turquesa, miradouros vertiginosos, mergulhar no Adriático pela primeira vez, provar gastronomia local simples e genuína.
Ideal para quem quer uma primeira viagem à Croácia, mas também para quem já conhece algumas cidades e procura ir um pouco mais além.
Itinerário flexivel - pode ser adaptado a várias idades e interesses.
Dica Final – Prolongar a Viagem até Dubrovnik
A nossa viagem terminou por aqui, mas para quem tiver mais alguns dias disponíveis, deixamos uma última sugestão: prolongar o roteiro para sul, até Dubrovnik.
A partir de Split, existem ferries regulares para Dubrovnik, uma opção prática e cénica para quem prefere evitar conduzir. Em alternativa, é possível seguir de carro alugado, mas é importante ter em conta que o percurso implica atravessar a fronteira da Bósnia e Herzegovina (no corredor de Neum). Nesse caso, é obrigatório informar previamente a rent-a-car, pois podem existir custos adicionais e requisitos específicos no seguro.
Dubrovnik dispensa grandes apresentações e é um excelente complemento a este roteiro, sobretudo para quem quer fechar a viagem com uma cidade histórica marcante à beira do Adriático.
Se este roteiro te deixou com vontade de viajar para a Croácia, deixamos aqui um convite especial. No Outono de 2026, vamos organizar um evento de viagem à Croácia, pensado para uma época mais tranquila e com temperaturas ideais para caminhadas, parques naturais, montanhas e até a exploração de uma gruta.
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