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As Montanhas Mágicas

Em Agosto de 2022 partimos à descoberta das Montanhas Mágicas. Este é um território que abrange as Serras da Freita, Arada, Arestal e Montemuro, entre os rios Douro e Vouga.

O nosso destino era a Serra da Freita, onde iríamos acampar uns dias em família, no Retiro da Fraguinha.


Ficamos apaixonados pela Serra da Freita logo no dia da viagem, enquanto passávamos por várias manchas de florestas de carvalho, ribeiros de água cristalina, pequenos povoamentos dispersos de casas de pedra e vacas a pastar nas montanhas graníticas.


Alguns rebanhos de cabras a passar na estrada com o pastor fizeram-nos parar a carrinha e esperar que passasse o rebanho. Bem-vindos à montanha!


Chegados ao Retiro da Fraguinha, fomos muito bem recebidos pelo sr. Rui Ferreira. Apesar de já o conheceremos de outras aventuras da Quimera, adoramos conhecê-lo pessoalmente.


O Retiro da Fraguinha é um verdadeiro paraíso natural, com muitas espécies de árvores, como bétulas, faias, carvalhos, e um curso de águas límpidas (Ribeiro de Paivô). Este parque de campismo de montanha é o sítio ideal para umas férias descansadas, longe do bulício do dia-a-dia, onde é fácil perder a noção do tempo, e muito difícil ter rede no telemóvel.


Existem várias opções de alojamento no Retiro da Fraguinha: campismo, caravana, chalé e os apartamentos Casa das Bétulas. Pela sua excelente localização, este parque é o ponto de partida ideal para vários percursos pedestres que existem próximos.

  • Rota das Bétulas - Esta pequena rota parte da Fraguinha

  • GR60 - A Grande Rota das Montanhas Mágicas também passa junto ao Parque

  • Rota de Manhouce

  • Rota da Cárcora

  • Drave, a Aldeia Mágica

  • Trilho dos Incas

Outra sugestão é explorarem de carro a Rota da Água e da Pedra, com o total de 114 locais a visitar, alguns dos quais na Serra da Freita.


No restaurante do Retiro da Fraguinha podem degustar um jantar caseiro delicioso, mas terá que ser reservado antecipadamente.


Próximo do Parque, está a barragem “A Pioneira”, um lugar tranquilo e bucólico, com muita diversidade de aves e plantas características das turfeiras. É que aqui na Fraguinha encontra-se uma das turfeiras em melhor estado de conservação da região, onde podemos encontrar algumas espécies como o narciso-das-turfeiras. Estes ecossistemas são vitais para a vida no nosso planeta, prestando vários serviços como armazenamento de carbono, prevenção de enchentes e secas, e fornecendo habitat para um conjunto diverso de seres vivos. O musgo das turfeiras forma tapetes almofadados que têm a capacidade de reter uma grande quantidade de água. Mas, apesar da sua importância, estes habitats estão a ser degradados por incêndios ou pastoreio. Além disso, as turfeiras estão a ser drenadas para conversão a agricultura, e a turfa é extraída para fabrico de combustível. Apesar de representarem apenas 0,4% da superfície terrestre global, a sua destruição implicará um aumento brutal de emissões de carbono.


Por outro lado, a Serra da Freita e da Arada são também território de lobos ibéricos, uma espécie em vias de extensão e protegida por lei. A Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico afirma que é uma população pequena e muito instável, de apenas uma alcateia, que varia entre 2 a 4 lobos, e que não se reproduz todos os anos. Os esforços de conservação desta espécie passam por vários projetos de florestação, coordenação com os parques eólicos e a reintrodução do corso selvagem nestas serras, após centenas de anos de desaparecimento, para serem presas do lobo - uma tentativa de reduzir os ataques ao gado, após as queixas de alguns habitantes das povoações da serra.



Montamos a nossa tenda no Retiro da Fraguinha e dormimos uma noite tranquila. Mesmo em Agosto as noites são muito frias aqui, por isso levem um saco cama bem quentinho.

No dia seguinte fomos explorar alguns dos Poços de Manhouce: o Poço Negro, o Poço da Silha e o Poço da Barreira.


Manhouce tem um conjunto de poços e piscinas naturais designado por “Poços de Manhouce”, localizados no Rio Teixeira e esculpidos na rocha pela força da água. Muitos destes poços apresentam paradisíacas cascatas a enquadrá-los. Este rio de águas límpidas é afluente do Rio Vouga e, apesar de ter apenas 13 km, é o rio português com maior número de praias e piscinas fluviais, ou poços, como aqui são chamadas. Em Manhouce, o rio apresenta uma sucessão de cascatas espetaculares e que fazem um bonito percurso de canyoning.

A primeira paragem foi no Poço Negro, próximo de Sernadinha que deve o seu nome às suas águas profundas. O acesso de carro não é muito bom, com uma estrada de terra muito irregular, pelo que fizemos grande parte da descida a pé. Nas rochas que ladeiam a cascata, existem umas pequenas lagoas de águas pouco profundas onde nos refrescamos. Nesta zona existe também um pequeno parque de merendas.



O Poço da Silha, perto de Manhouce, tem um acesso mais fácil e foi uma agradável surpresa. Com uma cascata fenomenal, onde um grupo de crianças fazia canyoning, tem também uma maravilhosa piscina natural, enquadrada por carvalhos, onde tomamos banho. Foi uma experiência incrível.



A próxima paragem foi no Poço da Barreira, na ribeira de Vessa, que se junta mais à frente à ribeira de Manhouce para formar o rio Teixeira.

Para chegarmos ao Poço da Barreira, passamos junto à Ponte Romana da Barreira e ao parque de merendas. Depois seguimos um trilho junto à ribeira, saltando de pedra em pedra até chegarmos a um cenário de sonho: uma piscina de águas azuis esverdeadas irresistíveis e com uma bela cascata. A descida para a piscina exige alguma destreza e técnicas de escalada.



No final da tarde, fizemos um circuito de carrinha, pois pretendíamos passar em vários miradouros e pontos de interesse. Alguns dos quais são geossítios do Arouca Geopark.


  • Miradouro da Frecha da Mizarela


A mais alta cascata de Portugal Continental, onde o rio Caima se projecta a 60m de altura pelas rochas graníticas envolventes. A origem desta cascata, também muito apreciada pelos praticantes de canyoning, está relacionada com a existência de dois tipos de rocha: o granito da Serra da Freita, mais resistente à erosão, e os micaxistos que por serem mais macios e vulneráveis à erosão, formaram um rebaixamento topográfico com grande desnível. Devido à altura do ano, e ao ano particularmente seco que tivemos, a cascata apresentava um caudal muito fraco.






  • Miradouro e Vértice Geodésico São Pedro Velho



Com uma paisagem imponente que alcança distâncias infinitas em 360º, este miradouro é uma paragem obrigatória, cuja vista imensa alcança a costa de Aveiro até ao Porto, e as várias serras do Norte de Portugal.

O vértice geodésico de 1ª ordem define uma altitude de 1077 metros, sendo um dos pontos mais altos da Serra da Freita. Está localizado por cima de uma plataforma de rocha granítica, bastante resistente à erosão.

O percurso pedestre PR 16 - S. Pedro o Velho atravessa este geossítio e tem uma extensão de 12 km.


  • Panorâmica do Detrelo da Malhada

Este miradouro, localizado a 1099 metros de altitude, na localidade de Moldes, permite uma vista para o vale do Arda, onde foi implantada a vila de Arouca. Também é possível a observação da Serra de Montemuro, de outras serranias mais a Norte, como a de Valongo, alcançado até a Serra do Gerês. Com a panorâmica de cerca de 180º deste miradouro, vemos a oeste o oceano Atlântico e a região litoral compreendida entre Porto e Espinho, e a Este a Serra da Arada, serra de São Macário, e a serra do Marão.

Este local faz parte dos geossítios do Arouca Geopark e permite observar o quartzodiorito de Arouca, uma rocha magmática muito propensa a meteorização química.



Passando pelo Parque Eólico da Serra da Freita, descemos até à aldeia típica do Candal, situada numa zona de socalcos, talhados na montanha pelos habitantes que praticam uma agricultura de subsistência desde há várias gerações. Conversamos com alguns habitantes locais muito simpáticos, que nos indicaram uma fonte para bebermos água e nos informaram sobre as melhores estradas. Após percorrermos a pé as ruas com casas de pedra e tirarmos algumas fotografias, seguimos caminho.



A última paragem foi no Baloiço da Serra da Arada, com uma vista incrível, onde tiramos algumas fotos.



 

No segundo dia, fomos almoçar em Arouca, pois tínhamos reservado uma Caminhada Aquática no Rio Paiva, com a empresa Natourway.


Encontramo-nos com o guia na Praia Fluvial do Areinho e vestimos os nossos fatos de neoprene, coletes e os capacetes. Todo o equipamento de segurança está incluído na atividade, assim como a reportagem fotográfica.

Caminhamos pelas margens escarpadas do Rio Paiva e pelo leito do rio, nadamos nas lagoas e fizemos saltos para a água e escorregas nas rochas. O guia, o Luís, também fez a interpretação da geologia, da flora e fauna à medida que íamos descobrindo os recantos do rio. Sentimos uma imensa tranquilidade enquanto nadávamos no rio, avistando pequenas cobras de água, guarda-rios e outras espécies. Esta atividade proporcionou-nos momentos de pura aventura, mas sempre em grande segurança. A nossa filha, que ao princípio estava com um pouco de medo, adorou a experiência, sobretudo os escorregas e já disse que quer repetir! Ficamos felizes por lhe proporcionar esta experiência.



No dia seguinte desmontamos a nossa tenda e seguimos viagem para outro parque de campismo. A nossa estadia no Retiro da Fraguinha foi curta, mas ficou a promessa de voltarmos para explorarmos melhor a região. No nosso próximo post, iremos falar da segunda parte da nossa viagem. Fiquem atentos!


Outros pontos de interesse na região:

  • Passadiços do Paiva

  • Ponte 516

  • Museu das Trilobites

  • Centro de Interpretação das Pedras Parideiras



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