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Road Trip na Lousã

Este post não pretende ser um artigo exaustivo sobre as aldeias de xisto (isso fica para outra altura!…) Aqui vamos apenas descrever alguns dos locais por onde passamos durante a road trip que fizemos em Agosto de 2022. Podem ler sobre a primeira parte desta viagem no post anterior, sobre as Montanhas Mágicas.


Vindos da Serra da Freita, começamos a descer em direção à Lousã, mais precisamente à localidade de Serpins, onde íamos acampar. Serpins dista aproximadamente 9 km da Lousã e está localizado nas margens do Rio Ceira, que nasce na Serra do Açor e desagua no rio Mondego. O nosso objetivo era conhecer a Praia Fluvial do Desfiladeiro, também conhecida por Praia Fluvial do Cabril do Ceira ou Portas do Ceira.



Neste local, o rio Ceira forma a Garganta do Rio Ceira, ou Desfiladeiro do Rio Ceira. O desfiladeiro foi formado pelo fraturamento de algumas rochas mais duras, os quartzitos, pela ação tectónica. Normalmente, os rios contornam estas rochas mais duras, mas aqui o rio Ceira acabou por atravessar estas rochas, formando uma piscina natural. O açude construído também contribui para a formação desta piscina.


Este local é de uma beleza incrível e uma praia fluvial lindíssima, onde desfrutamos de uns belos banhos. O acesso é feito através de uma estrada de terra batida. Se visitarem, não se esqueçam de deixar o local limpo, sem lixo!



Ao lado da praia natural existe um antigo túnel ferroviário abandonado, que fazia parte de um projeto para uma ferrovia que ligaria Lousã a Arganil. É conhecido como o Túnel do Cabril.


Na outra margem do Ceira, subimos à Aldeia de Candosa, e ao Santuário de Nossa Senhora da Candosa. Aí foram construídos os Passadiços do Cerro da Candosa, que permitem uma vista espetacular do desfiladeiro do rio Ceira. Os passadiços têm uma extensão de cerca de 600 metros, (1,2km ida e volta). Depois de descer os 600m, contem com energia para o regresso, onde têm à vossa espera cerca de 450 degraus. No Verão é aconselhável evitar as horas de maior calor. Ao longo dos passadiços são vários os miradouros com vistas cénicas para a paisagem envolvente.


Lá em baixo, conseguimos ter uma bela vista do rio e da Garganta do Ceira. O declive das encostas é abrupto e vertiginoso.


Após o incêndio de 2017, o Município de Góis teve a iniciativa de construir estes passadiços para requalificar a região e permitir aos visitantes usufruir, com total segurança, desta espantosa criação da natureza que é a Garganta do Rio Ceira.


O parque de Campismo de Serpins, onde ficamos 2 noites, apesar de não ser tão tranquilo como o Retiro da Fraguinha (ver post anterior), tem todas as infra-estruturas necessárias e está bem localizado, junto ao rio e mesmo ao lado da Praia Fluvial da Senhora da Graça. Esta praia fluvial tem vigilância, uma piscina para crianças, uma extensa área de relvado e um parque de merendas.



 

O dia seguinte foi dedicado a explorar a Serra da Lousã, onde fomos conhecer algumas praias fluviais, miradouros e aldeias de xisto.


Praia Fluvial da Senhora da Piedade


Esta é outra das praias vigiadas que podem encontrar nesta região. Existem mesmo muitas praias fluviais na zona, mas escolhemos esta por estar localizada num local conhecido como o “Burgo”. Ali podemos visitar o Santuário de Nossa Senhora da Piedade e o Castelo de Arouce.

O espaço da zona balnear foi todo construído com xisto, e possui ainda um café e um restaurante. Entre a Lousã e o Complexo da Senhora da Piedade foram construídos os Passadiços da Senhora da Piedade, com cerca de 1200m. À noite, os passadiços são iluminados e atraem muitas pessoas locais e visitantes.



Caminhamos um pouco junto às margens da Ribeira de São João à procura do Baloiço do Burgo. Instalado sobre as águas da ribeira, é o local perfeito para tirar fotos, mas, infelizmente, o baloiço tinha sido retirado.


Subimos, depois, ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, que se situa num morro alto em frente ao Castelo de Arouce. Envoltos numa bela paisagem de serra e construções de xisto, encontramos um conjunto de várias capelas, fontes e grutas.


Fonte da Esperança, toda construída em xisto.


As capelas que compõem este conjunto são:

  • Capela de São João

  • Capela da Agonia

  • Capela de Nossa Senhora da Piedade

  • Capela do Senhor dos Aflitos

Todas as capelas foram construídas em épocas distintas e estão em perfeito equilíbrio com a paisagem.


Do Santuário seguimos um pequeno percurso pedestre que nos levou até à Cascata da Senhora da Piedade e à Gruta da Fonte.



O caminho continuava fazendo ligação com outras aldeias de xisto, o Taslanal e o Casal Novo. Teremos que voltar noutra altura para percorremos o Caminho de Xisto da Lousã, que recria os passos dos antigos habitantes destas aldeias serranas, quando queriam descer à vila da Lousã.


Castelo de Arouce



Visitar o Castelo de Arouce foi viajar no tempo e nas histórias das conquistas muçulmanas e cristãs que deram origem ao nosso país. O castelo está classificado como Monumento Nacional e integra a Rede Castelos e Muralhas do Mondego. Em 1604, o rio Mondego era a linha de fronteira entre os mundos cristão e muçulmano. Foi formada a Linha Defensiva do Mondego, com vários castelos e torres, da qual o Castelo de Arouce também fazia parte..


 

Após visitarmos o Burgo, fizemos um circuito de carrinha para conhecer as Aldeias do Xisto Candal e Talasnal, assim como alguns miradouros.


Fizemos uma paragem para abraçar a imponente Sequoia sempervirens, na estrada nacional 236.


Aldeia de xisto do Candal


Esta aldeia de xisto está localizada numa colina junto ao vale atravessado pela ribeira do Candal.

Por estar localizada junto à estrada nacional, é das aldeias de xisto que recebe mais visitantes.


Subimos as ruas inclinadas até ao Miradouro do Candal, onde podemos admirar uma panorâmica da vila, em forma de anfiteatro.


A Ribeira do Candal, que atravessa a aldeia, vai juntar-se ao rio Arouce, que, por sua vez, se vai juntar ao rio Ceira. Aqui na aldeia, junto às casas, forma uma pequena piscina natural, um local ideal para repousar.


Na loja “Aldeias do Xisto” podem tomar um café, provar as delícias da região, como os pasteis de castanha e adquirir peças de artesanato feitas localmente. O restaurante "Sabores da Aldeia" fica no mesmo edifício e serve pratos regionais, tendo ganho uma considerável fama entre os visitantes do Candal.


No século XX muitos dos antigos moradores desta aldeia, emigraram para os EUA e para o Brasil. Eram pastores, carvoeiros e praticavam agricultura de subsistência em socalcos na serra. Algumas habitações próximas da estrada foram construídas com o dinheiro dos emigrantes e expressam o novo estatuto económico. Em vez das tradicionais casas construídas com xisto escuro, sem reboco, estas são maiores, rebocadas e com pedra de cantaria à volta das janelas.


Quando o Estado Novo mandou plantar pinheiros na serra, muitos moradores empregaram-se como plantadores dos serviços florestais. Contudo, a atividade de pastorícia entrou em declínio, devido à massiva plantação de pinheiros.


Descendo o vale junto à ribeira, podemos chegar à Cascata do Candal. Apesar de estar no nosso roteiro, acabamos por não ir, porque a nossa filha estava cansada e o acesso não é fácil.


Continuamos então a viagem de carrinha. Aqui a Serra da Lousã é encantadora. Apesar de haver muitos pinheiros e eucaliptos, ainda subsistem espécies do antigo coberto vegetal, como sobreiros, castanheiros, azereiros e azevinhos. O silêncio envolvia-nos à medida que entramos nesta parte da serra.


Um dos momentos altos desta viagem foi quando vimos um esquilo vermelho a atravessar rapidamente a estrada à nossa frente. Nesta serra podem-se encontrar facilmente veados ou ouvi-los durante a época da brama.


Aldeia do Talasnal

Percorremos as vielas e becos, e exploramos os recantos da aldeia do Talasnal. Esta aldeia nunca chegou a ter mais de 129 habitantes. Chegou-se a construir uma escola, com grande esforço da população, mas depois foi encerrada por falta de crianças.



A desertificação foi bastante severa para o Talasnal que, em 1981, só tinha dois habitantes permanentes. Muitos emigraram para outros continentes. Hoje em dia, as casas foram restauradas e transformadas em casas de segunda habitação, em alojamento ou estabelecimentos comerciais. Existiam, também, dois lagares de azeite na aldeia, um dos quais foi recuperado.


Miradouro Isto é Lousã



E assim terminou a nossa viagem. Foi curta, mas tentamos aproveitar ao máximo. Fica a promessa de voltar e explorar melhor a região.


Outro pontos de interesse na região:


  • Aldeia de Xisto da Cerdeira

  • Aldeia de Xisto do Casal Novo

  • Aldeia de Xisto do Chiqueiro

  • Baloiço do Trevim


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