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  • Catarina Araújo

À Descoberta do Oeste - II



Óbidos




A vila de Óbidos é uma jóia de Portugal. Situada em cima de uma colina, Óbidos, cujo significado é "cidadela" ou "cidade fortificada" foi fortificada desde tempos remotos e ainda hoje conserva o seu traçado medieval. As suas ruas labirínticas e as casas enfeitadas com flores proporcionam uma atmosfera muito romântica e pitoresca. O seu castelo foi eleito em 2007 como uma das 7 Maravilhas de Portugal.


Ao longo do ano existem várias festividades que atraem muitos visitantes, como o Festival Internacional do Chocolate, o Mercado Medieval de Óbidos, Óbidos Vila Natal e o Festival Internacional Literário de Óbidos. Fora destas datas, esta charmosa vila continua a ser visitada diariamente por um grande número de turistas, sendo um local cheio de vida e animação.


A Casa das Rainhas


A história de Óbidos está intimamente relacionada com a família real, especialmente com as rainhas de Portugal. Em 1210 a vila foi doada a D. Urraca pelo rei D. Afonso II, em 1282 D. Dinis e a Rainha Santa Isabel passam núpcias em Óbidos e D. Dinis oferece a vila de Óbidos à sua esposa como prenda de casamento. A partir desta data a vila passa a fazer parte integrante do dote de todas as rainhas portuguesas. Esta é a razão principal para podermos encontrar tantas igrejas em Óbidos. A rainha D. Leonor também aqui viveu após a morte do seu filho e fundou a Misericórdia de Óbidos.


Óbidos, Vila Literária


Em 2015, Óbidos foi considerada Cidade Criativa da Literatura pela Unesco e começou a integrar a rede de Cidades Criativas, mas o projeto Óbidos Vila Literária iniciou-se em 2011, com o objetivo de requalificar o centro histórico. Em 2012 foi criada a maior livraria portuguesa dentro de uma igreja, na Igreja de Santiago, situada dentro das muralhas da vila, junto à entrada para o Castelo. Depois da criação desse polo cultural, nasceram 11 novas livrarias e até um hotel literário, The Literary Man. Vários autores procuram Óbidos para residências literárias, para desenvolverem os seus projetos e fazerem as suas apresentações.


Livraria de Santiago

Visitamos Óbidos num final de tarde no ínicio do Verão. Calcorreamos as ruelas, subimos ao Castelo e não fomos embora sem beber a famosa Ginginha de Óbidos num copo de chocolate. Vamos partilhar aqui o nosso roteiro.

Dica: Não se esqueça de levar a máquina fotográfica.


Deixámos o carro num dos parques junto ao Aqueduto da Usseira e começámos aqui a nosso passeio.


Aqueduto da Usseira


Este aqueduto foi construído em 1573 e atravessa cerca de 6 km, repartidos em troços visíveis e subterrâneos. Com origem numa nascente de água em Usseira, o aqueduto abastecia o Chafariz Real da Praça de Santa Maria e uma outra fonte, a Mãe D'Água, junto à Porta da Vila, que foi destruída no século XX. Mandado construir pela Rainha D. Catarina de Áustria, foi o primeiro sistema de abastecimento de água de Óbidos. As suas arcadas exibem arcos de volta perfeita.



Porta da Vila e Oratório de Nossa Senhora da Piedade


Construída em 1536, esta porta alberga o oratório dedicado à Padroeira de Óbidos, Nossa Senhora da Piedade. Os azulejos do oratório representam cenas bíblicas.


Núcleo Urbano de Óbidos


Passando a Porta da Vila, entramos na cidade amuralhada. Daqui pode seguir pela rua principal - a Rua Direita - que vai ligar a Porta da Vila ao Castelo. Nesta rua pode encontrar vários cafés e lojas de artesanato. É aqui que se concentram as casas nobres e abastadas. Paralelamente à Rua Direita, as outras duas ruas principais são a Rua de Cima e a Rua de Baixo.

Adentre nas ruas secundárias e deambule pelas ruelas e escadas procurando os recantos cheios de charme, os pórticos manuelinos e os trabalhos de cantaria em portas e janelas, para captar com a sua câmara.


Os passadiços sobre a rua fazem a ligação aos anexos e quintal das casas que ficam noutro quarteirão.


Largo de São Pedro


Espaço mais aberto onde se concentram vários edifícios religiosos e civis, como a Igreja de São Pedro, a Capela de São Martinho e os Paços do Concelho.


A Igreja de São Pedro é uma das mais importantes da vila. Foi construída nos séculos XII e XIII, destruída com o terramoto de 1755 e reconstruída com elementos barrocos e neoclássicos. Aqui se encontra sepultada a pintora Josepha de Óbidos.


A Capela de São Martinho é um imóvel de interesse público. Foi construída no século XIV num notável estilo gótico e funciona hoje em dia como capela funerária.


O edifício dos Paços do Concelho, ou Palácio da Vigararia é um exemplar de arquitectura civil e maneirista. foi construído nos séculos XVI e XVII para residência dos vigários gerais de Óbidos. No século XIX transferiu-se para aqui a Câmara Municipal.


Capela de São Martinho

Praça de Santa Maria


Ampliada no século XVI por D. Catarina de Áustria com a demolição de construções pré-existentes.

Tem um conjunto de edifícios de cariz religioso e militar: a Igreja de Santa Maria (Matriz de Óbidos), o Pelourinho, o Chafariz, o Mercado da Vila, o Solar dos Aboins, o Solar dos Brito Pegado e os Antigos Paços do Concelho.


Castelo de Óbidos


O Castelo de Óbidos tem origens remotas. Terá sido um Castro, depois tomado pelos Romanos, pelos Árabes e, em 1148, pelos cristãos, no reinado de D. Afonso Henriques.

Na década de 30 do século XX, por ação da DGEMN o Castelo e as muralhas foram dotados de ameias, numa tentativa de devolver ao edifício a sua imagem medieval. Por esta altura foram também reedificadas as torres e, no local do antigo Paço, foi construída uma Pousada, a primeira Pousada do Estado em edifício histórico. Nesta Pousada tem a possibilidade de ter uma verdadeira experiência medieval e pernoitar no Castelo.

Por esta altura toda a vila foi dotada de uma homogeneidade estética através da pintura com cal de todas as fachadas e a uniformização o pavimento das ruas.


Suba às muralhas para apreciar as vistas: para Oeste a Várzea da Rainha e a Nascente os arrabaldes de Óbidos e o Santuário do Bom Jesus da Pedra. Tenha precaução pois as muralhas não têm qualquer proteção.


Igreja de Santiago


A Igreja de Santiago foi erigida pelo Rei D. Sancho I, em 1886, provavelmente no lugar onde se erguia a mesquita islâmica. Esta igreja dava assistência espiritual aos militares e à corte das rainhas, quando estavam em Óbidos. Foi profundamente danificada com o terramoto de 1755 e reconstruído em estilo barroco neoclássico.


Foi nesta livraria que se instalou a Livraria de Santiago, onde se pode encontrar uma grande variedade de livros. Quando subimos umas escadas até ao coro da igreja, encontramos um espaço onde se une poesia e renda de bilros. É aqui que Natália Santos, a Poeta Rendeira, trabalha, expõe e vende as suas obras de joalharia em renda de bilros. Ficámos um pouco à conversa e ela mostrou-nos os seus poemas, os seus trabalhos de joalharia, fotografias e recortes de jornal de ocasiões em que foi convidada para programas de televisão.


Parque Cinegético de Óbidos


Situado na encosta oeste da vila e com vista para a Várzea da Rainha, este parque convida a uma caminhada com olhar atento, pois aqui vivem duas famílias de gamos e outros animais como raposas, javalis, perdizes e patos-bravos.


Pode iniciar o percurso na Porta da Talhada (imagem à esquerda) e seguir o trilho do parque cinegético por cerca de 1km. O percurso faz a ligação com a Capela de S. João de Mocharro, que é atualmente a Capela de Nossa Senhora do Carmo e termina no Postigo do Jogo da Bola, onde tem um miradouro magnífico sobre a vila.


A Torre de Maneys


Sentimos muita curiosade em saber o que era este edifício que tínhamos fotografado, com as suas lindas portas e janelas ogivais, então fomos pesquisar e eis o que encontramos:

  • Data do século XVI e terá sido a Torre Armazém do Castelo de Óbidos.

  • Está ligada à casa em frente por uma ponte coberta.

  • Estava em ruínas quando foi comprada por uma família que vinha muitas vezes passar férias a Óbidos.

  • Depois de várias obras de restauração e muitos achados históricos, serviu muitos anos como casa de férias.

  • Em 2014 foi convertida em Turismo de Habitação.

  • Tem 5 quartos com os nomes de alguns membros da família, em que todos têm em comum o nome Manuel. Daí terá provavelmente surgido o seu nome (Torre dos Manuéis).


Livraria do Mercado Biológico


Este espaço acolhe o Mercado Biológico e uma livraria - a Livraria do Mercado. Quando passar na Rua Direita, não deixe de visitar esta livraria, onde as prateleiras dos livros são feitas com caixas de fruta reutilizadas.


Baloiço de Óbidos


Localizado no Miradouro da Serrinha de Cima, este baloiço de dois lugares proporciona momentos relaxantes com vista panorâmica sobre a vila.


Porta e Oratório de Nossa Senhora da Graça


Deixamos a cidade amuralhada pela Porta e Oratório de Nossa Senhora da Graça, no lado nascente. Tem no seu interior uma capela-oratório dedicada a Nossa Senhora da Graça, cuja imagem diz-se ter sido oferecida em acção de graças após o cerco de 1246, numa contenda entre D. Sancho II e D. Afonso III. Esta capela-oratório foi reformada por Bernardo de Palma no século XVIII, "em cumprimento de uma promessa de sua filha, que morreu de amores contrariados por um jovem obidense". O torreão da porta tem agora uma capela-mor, retábulo, coro, tribuna e sacristia.

Antigamente, antes da criação da Rua Direita, era o principal acesso à vila de Óbidos.


Museus


Durante a nossa curta visita não visitamos nenhum museu, mas deixamos aqui uma lista para referência:

  • Museu Municipal de Óbidos

Destaca-se a coleção de pintura dos séculos XVI e XVII, onde constam as obras da pintora Josefa de Óbidos, pintora barroca do século XVII.

  • Museu Paroquial de Óbidos

  • Museu Abílio de Mattos e Silva e Casa do Arco da Cadeia

  • Galeria NovaOgiva

  • Centro de Design de Interiores


A Ginja de Óbidos


O fruto


Sabe-se que o fruto é originário da Ásia e que foi trazido pelos romanos. Devido ao conhecimento das suas propriedades medicinais digestivas e diuréticas, foi bastante difundido na Europa.


Do xarope medicinal ao licor


Para produzir o licor foi necessário a invenção de duas matérias-primas: o álcool e o açucar. Foram os monges e abades boticários medievais que, ao aumentarem o teor de aguardente dos xaropes medicinais, inventaram os licores e bebidas espirituosas. A receita conventual foi depois transmitida às famílias de Óbidos.

Existem vários tipos de licores, os simples ou os aromatizados com frutos, canela ou baunilha. Os mais saborosos são os que são produzidos de forma artesanal e apenas com ingredientes de origem natural, como da marca Oppidum.


"Beba a ginja e coma o copo"

A ginja em copo de chocolate é um clássico e encontra-se à venda por toda a vila. Tudo começou no Festival do chocolate em Óbidos, em 2005, quando Dário Pimpão, fundador da Oppidum, adquiriu uma caixa de chávenas de chocolate e experimentou vender o licor de ginja em chávena de chocolate.






Outros pontos de interesse em Óbidos


  • Lagoa de Óbidos

A Lagoa de Óbidos é a maior laguna costeira da costa portuguesa e a única sobrevivente de três grandes lagoas existentes na zona Oeste desde o período Neolítico. É alimentada por água do mar através da ligação conhecida como "Aberta" e água doce vindas dos rios Real, Arnóia e Cal, seus afluentes, que ali desaguam.

Desde o século XV que as populações lutam contra o fim anunciado da Lagoa, através da abertura regular ao mar, ameaçada pelo assoreamento.

  • Santuário do Senhor Jesus de Pedra

Este templo está localizado fora da vila, na estrada para Caldas da Rainha. Foi desenhado pelo Arq. Capitão Rodrigo Franco e data de 1747. Tem um caráter singular, no exterior tem o volume de um cilindro e no interior de um polígono hexagonal, além de um jogo de simetrias com janelas invertidas. No altar-mor deste santuário e local de peregrinação, está uma imagem esculpida de Jesus Crucificado numa Cruz de Pedra, associada e um culto muito antigo relacionado com maus anos agrícolas.













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