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  • Catarina Araújo

À Descoberta da Ilha Terceira

A nossa viagem à Ilha Terceira em Setembro de 2020 foi uma verdadeira aventura. Apesar de a viagem estar planeada e reservada há muito tempo, fomos apanhados no meio de uma pandemia e receamos que a mesma tivesse que ser cancelada. Porém não foi necessário cancelar, só tivemos que realizar os testes para o Covid19, que não são muito agradáveis mas, compreendemos que seja necessário. Com o resultado negativo, lá fomos nós para este paraíso.


Viajámos na companhia SATA - Air Açores, que realiza ligações diárias de e para Portugal Continental. A viagem dura, aproximadamente, 2:30h. Há muito tempo tínhamos prometido à nossa filha que íamos realizar o sonho dela que era andar de avião, e foi desta vez. Ela adorou a descolagem e a aterragem, e andar por cima das nuvens! A primeira visão aérea da ilha, com aquele verde exuberante, é de tirar o fôlego.


Ficamos alojados num alojamento local, em Agualva, na zona nordeste da ilha, rodeados de campos verdes e com vista para o mar. A tranquilidade envolvente, a simpatia e hospitalidade das pessoas da ilha é algo que vai ficar gravado nas nossas memórias.

Tínhamos um plano de caminhadas, que esperávamos conseguir fazer com a nossa filha de 5 anos, algumas dicas do nosso anfitrião dos melhores sítios para comer e visitar, e o tempo estava bom. Depois de nos abastecermos no mini-mercado mais próximo, começamos a pensar no que íamos fazer no dia seguinte.


Optámos por fazer uma caminhada nas Baías de Agualva, de 4 km, mas algo exigente para a nossa filha, que ficou exausta. Depois da caminhada fomos descansar e dar uns mergulhos nas Piscinas Naturais de Quatro Ribeiras, formadas por rocha vulcânica. Foi uma experiência maravilhosa nadar nestas águas amenas durante quase todo o ano, devido à corrente do Golgo, que passa relativamente perto do arquipélago e que mantém a água sempre a uma temperatura entre os 17º e os 23º . Nesse dia ainda fomos visitar o Museu do Vinho de Biscoitos.

A zona de Biscoitos é uma zona de formação vulcânica onde se localizam as famosas vinhas divididas por "curraletas" de alvenaria de pedra seca. Os vinhos oriundos das vinhas de Biscoitos são maioritáriamente de casta Verdelho.



No segundo dia tínhamos agendada uma saída de barco para observação de cetáceos com a empresa Atlantiangra. Mais uma vez tivemos sorte com as condições meteorológicas, que estavam perfeitas. Deslocamo-nos até Angra do Heroísmo para realizarmos mais um sonho de família, observar baleias no seu habitat natural. À medida que a embarcação se afasta da costa, a vista do Monte Brasil impõe-se na paisagem. Tinha sido avistada uma baleia pelo vigía e fomos à procura dela. Passado algum tempo a seguir o rastro dela, lá conseguimos observar a sua barbatana e dorso quando ela vinha à superfície. Era uma baleia sardinheira, que pertence ao grupo das baleias de barbas. Estas baleias, em vez de dentes têm barbas, que são constituídas por um material fibroso e são parecidas com uma grande barba dentro da boca. As baleias de barbas alimentam-se ingerindo grandes quantidades de água e alimentos como krill e pequenos peixes. A baleia sardinheira, pertence ao grupo dos três animais maiores do mundo, juntamente com a baleia-azul e a baleia-comum. Ainda conseguimos avistar vários grupos de golfinhos, de três espécies diferentes: o golfinho pintado, o golfinho comum e o boto. O grupo de golfinhos pintados era muito interativo e nadou na proa do nosso barco durante muito tempo. O boto, ao contrário das outras espécies de golfinhos, não possui bico e apresenta um comportamento mais desconfiado em relação a embarcações. É uma experiência que aconselhamos vivamente a todos os amantes da natureza!

Depois do almoço em Angra do Heroísmo, fomos fazer o reconhecimento do percurso do Monte Brasil. O Monte Brasil é um antigo vulcão com origem marítima, o mais bem preservado dos Açores. Desta vez só o Michael fez a caminhada, pois a nossa filha estava muito cansada e a caminhada era exigente. O percurso passa por diversos miradouros para a baía da cidade de Angra e por florestas onde vivem grupos de gamos.



O terceiro dia estava chuvoso. Aproveitamos para fazer uma caminhada mais pequena, junto à Ribeira de Agualva, um percurso que prometia várias cascatas. Tem apenas 2 km, mas pelo seu nível técnico, classificamos como difícil, uma vez que, em alguns troços, temos de subir com cordas. Nesta ribeira é praticada a modalidade de canoeing, que ficamos com vontade de experimentar. As cascatas na ribeira de Agualva também não desiludiram.

À tarde fomos visitar o Algar do Carvão, a Gruta do Natal e as Furnas de Enxofre. Chovia torrencialmente no interior da ilha.

O Algar do Carvão é uma cavidade vulcânica com 100 metros de profundidade, formada há cerca de 2000 anos devido à drenagem do magma da chaminé vulcânica principal. No seu interior existe um tecto com estalactites de sílica e uma lagoa. O que mais gostámos foi de estar dentro da caldeira e olhar para cima, para as paredes cobertas de vegetação. Essa imagem, que tentamos captar com as nossas câmeras, remeteu-nos para os livros de Júlio Verne. Segundo o nosso anfitrião, só existem dois locais no mundo onde é possível visitar o interior de um vulcão, sendo o outro na Indonésia. Não admira que esta seja uma das atrações mais procuradas da ilha.

Na visita à Gruta do Natal, tivemos a oportunidade de entrar no interior de um tubo lávico com 697 m de comprimento. No interior da gruta podem ser observadas estruturas geológicas diversas e escorrências de diversos tipos de lava.

As Furnas de Enxofre são um monumento natural que foi adaptado para receber visitantes com a construção de passadiços e um circuito de visitação, onde é possível avistar as "fumarolas", isto é, as saídas de gases vulcânicos e sulforosos a temperaturas elevadas.

Neste dia fomos fazer uma degustação de queijo na queijaria que produz o Queijo Vaquinha, onde se pode experimentar várias variedades de queijos, produzidos artesanalmente. Acompanhamos os queijos com um vinho de Biscoitos e sentamo-nos a relaxar. Da esplanada, se o céu estiver límpido, consegue-se ver a ilha de S. Jorge e a Graciosa. Que bela maneira de terminar o dia, não acham?



No quarto dia tivemos de voltar a Angra do Heroísmo para realizar o segundo teste ao Covid19. Nesse dia fizemos o trilho dos Fortes de São Sebastião. Em São Sebastião pudemos observar um belo exemplo das típicas igrejas do culto do Divino Espírito Santo, cujas festividades ocorrem na semana da Páscoa. Este culto, tal como em todas as outras ilhas do arquipélago, tem uma grande expressão na Ilha Terceira. O percurso passa por diversos fortes em ruínas ao longo da costa. Alguns deles foram palcos de importantes batalhas na ilha Terceira. Feita a caminhada, subimos de carro até ao Miradouro da Serra da Cume. Com 545 metros de altitude, este miradouro proporciona uma vista panorâmica sobre a Praia da Vitória e a planície interior da ilha, que é dividida por muros de pedra vulcânica. Trata-se da imagem "postal" dos Açores, também conhecida por "manta de retalhos". A próxima paragem foi o Miradouro do Facho, onde se pode apreciar uma vista para a cidade da Praia da Vitória e a sua baía.



No quinto dia, o último antes do regresso, estava a chover bastante, pois aproximava-se uma tempestade. Faltava fazer o Trilho dos Mistérios Negros, um trilho espetacular no interior da ilha. Este trilho está inserido na Reserva Natural de Santa Bárbara e dos Mistérios Negros e passa por várias lagoas, como por exemplo a Lagoinha do Vale Fundo, um importante local para algumas aves migratórias que aqui chegam. O Michael fez o reconhecimento sozinho, equipado com calças impermeáveis e poncho. Nesse dia ainda fomos visitar as Piscinas Naturais de Biscoitos que são fantásticas, mas desta vez não pudemos ir a banhos. Compramos umas maçarocas e fomos comer para um miradouro sobre as baías de Agualva. Era o último dia que tínhamos para a explorar a ilha e muito ficou por ver. Ficamos com vontade de voltar. Talvez um dia, quando a nossa filha for mais crescida e já consiga fazer caminhadas mais longas...



A ILHA TERCEIRA

  • É a segunda ilha mais habitada dos Açores.

  • Em conjunto com a Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, formam o grupo central do Arquipélago dos Açores.

  • O seu ponto mais elevado, com cerca de 1021 metros de altitude, encontra-se situado na Serra de Santa Bárbara.

  • Como o seu nome indica, esta foi a terceira ilha a ser descoberta no arquipélago dos Açores.

  • Devido à sua localização, esta serviu de porto de escala para as naus portuguesas na altura dos descobrimentos da Índia e da América.

  • A primeira cidade dos Açores foi Angra, hoje em dia, Angra do Heroísmo.

  • A cidade de Angra do Heroísmo foi declarada, em 1983, pela UNESCO como património mundial, devido ao seu valor arquitetónico, histórico e cultural.

  • Os Açores foram reconhecidos como um dos lugares de topo para observação de cetáceos em todo o mundo.


Temos programada uma viagem à ilha Terceira em Julho de 2021 onde vamos visitar todos estes locais. Para conhecer o programa e as condições, siga esta ligação.



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